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Homenagem ao prof. Edson Prata - 9º Congresso de Direito Processual de Uberaba

Homenagem ao prof. Edson Prata - 9º Congresso de Direito Processual de Uberaba

28/09/2015 Autor: Aristoteles Atheniense

Por nímia cortesia do presidente João D’Amico, foi-me deferida a palavra para saldar, hoje, os que serão galardoados com a medalha “Prof. Edson Prata”.

Imagino a satisfação dos escolhidos, a partir de agora, diante da importância de que a insígnia se reveste.

Uma condecoração, por si só, talvez possa ser entendida somente como mera exaltação àquele que lhe deu o nome. Mas, se fizermos um retrospecto da personalidade reverenciada, ela se converte num compromisso assumido de parte daquele que a recebe em perfilhar os mesmos princípios que marcaram a trajetória do patrono da distinção.

Há vinte e cinco anos, no dia 17 de setembro de 1990, numa manhã de segunda-feira, viajando de ônibus, cheguei a Uberaba. Atendia a infausta comunicação recebida de meu colega Claudiovir Delfino, na noite anterior: Edson Prata partira.

Escusado repetir a emoção que alimentei ao longo da viagem no reencontro que teria com o fraternal amigo de 63 anos, que se fora.

Mas, à medida que me aproximava desta cidade, revivi os inúmeros encontros mantidos com o notável sonhador, de cujo apreço desfrutei. Veio-me, então, à mente aquela advertência de Guimarães Rosa, na palavra simples de um de seus personagens: “A gente morre para provar que viveu”.

O que certifica a vida é a morte. Aquela informação, sem maior reflexão, pode parecer inexpressiva; mas importa, em última análise, na certeza de que somente os que viveram construtivamente serão lembrados após a morte.

Apenas numa acepção biológica, a morte é equiparada à perda da vida. Mas, a maior perda, realmente é a que morre dentro de nós, ainda que estejamos vivos.

Edson Prata, nascido em Conceição das Alagoas, realizou-se em tudo que fez: como mero entregador da Farmácia Santa Terezinha, como técnico em contabilidade, como aprovado em primeiro lugar em concurso público em nível nacional para o Banco do Brasil. Por igual, como professor universitário e idealizador da Universidade de Uberaba, fundador do “Jornal da Manhã” e da Editora Vitória, onde foram publicados livros jurídicos de sua autoria e de juristas de renome nacional.

Estou seguro de que os novos portadores da medalha, que leva o seu nome, têm plena consciência do que ela representa e quem foi o jurista e literato que almejava um direito e uma advocacia que pudessem contribuir para a paz social.

Compreensível, pois, a indicação do magistrado Élcio Arruda, pela maneira com que exerce a atividade judicante e como autor de obra de reconhecido valor; do promotor de justiça, Carlos Valera, pela segurança com que cumpre a sua nobilitante função, destacando-se na defesa do meio ambiente; do jovem advogado Beto Vasconcelos, pela contribuição dada ao Executivo Federal no desempenho das relevantes missões que lhe foram cometidas.

Todos muito jovens e consagrados, mercê do respeito por parte daqueles que desfrutam de sua convivência ou que tem notícia de seu comportamento nas diversas searas em que atuam, com absoluta fidelidade aos postulados éticos que os norteiam.

Decorridos 25 anos de sua ida, para um mundo melhor que o nosso, a figura do esposo de Aparecida Damas de Oliveira Prata; a imagem do pai de Lídia Prata Ciabotti, subsiste nesta solenidade, tomada do mesmo vigor do primeiro presidente do Instituto dos Advogados de Minas Gerais, seção de Uberaba; espargindo o entusiasmo com que se houve quando da fundação da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e como ocupante da Academia Brasileira de Direito Processual Civil.

Assim, seja na área do direito ou como crítico literário e contista aclamado, Edson Prata deixou uma réstia incandescente, por onde passarão os que pretendam sucedê-lo em qualquer dos ofícios que cumpriu, com exemplar abnegação.

Meus colegas: a história universal não é outra coisa senão a história dos grandes homens, que marcam e designam as épocas da vida de uma nação. Cada instituição é considerada como a sombra prolongada daquele que a consagrou.

Foi o que sucedeu a Dante, que imprimiu o seu cunho à Itália moderna e foi para a sua pátria o arauto da liberdade, afrontando por ela, a perseguição, o desterro e a própria morte. Uma pátria, no seu sentido autêntico, é formada por homens de grande energia e pureza de caráter, cujos pensamentos e atos serão a maior herança do passado.

Afirmo-lhes, com absoluta certeza: Edson Gonçalves Prata inseriu-se no elenco dos homens notáveis deste País pelo que pensava e realizava, indiferente às vantagens pessoais, devotado a uma única causa, que era a de tornar o mundo melhor.

Quem tem um amigo, como tive na pessoa daquele que agora cultuo, não importa onde ele se encontre, jamais sofrerá de solidão: os que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.

Aristoteles Atheniense – advogado, conselheiro nato da OAB e membro do conselho superior do IAMG.

Artigo publicado no blog “Direito & Poder – Por Aristoteles Atheniense”, em 28 de setembro de 2015.


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